{"id":819,"date":"2013-08-29T14:16:11","date_gmt":"2013-08-29T14:16:11","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.uepb.edu.br\/nepda\/?p=819"},"modified":"2013-08-29T14:16:11","modified_gmt":"2013-08-29T14:16:11","slug":"peregrinos-da-jornada-mundial-da-juventude-buscam-refugio-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nucleos.uepb.edu.br\/nepda\/2013\/08\/29\/peregrinos-da-jornada-mundial-da-juventude-buscam-refugio-no-brasil\/","title":{"rendered":"Peregrinos da Jornada Mundial da Juventude buscam ref\u00fagio no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><!--:pt-->22 de agosto de 2013<\/p>\n<p><b>Entre as raz\u00f5es alegadas pelos solicitantes de ref\u00fagio \u2013 oriundos do Paquist\u00e3o, Serra Leoa e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo \u2013 est\u00e3o persegui\u00e7\u00f5es sofridas por quest\u00f5es religiosas ou relacionadas a conflitos armados em seus pa\u00edses de origem.<\/b><\/p>\n<p>Peregrinos de diferentes pa\u00edses que vieram ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) est\u00e3o solicitando ref\u00fagio \u00e0s autoridades brasileiras. Entre as raz\u00f5es alegadas pelos solicitantes de ref\u00fagio est\u00e3o persegui\u00e7\u00f5es sofridas por quest\u00f5es religiosas ou relacionadas a conflitos armados em seus pa\u00edses de origem. A JMJ aconteceu entre os dias 23 e 28 de julho e reuniu mais de 3 milh\u00e3o de jovens no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Segundo dados coletados pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (<a href=\"http:\/\/www.acnur.org.br\/\" target=\"_blank\">ACNUR<\/a>) junto \u00e0 Caritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro (CARJ), cerca de 40 solicita\u00e7\u00f5es de ref\u00fagio j\u00e1 foram feitas por peregrinos da JMJ. A Caritas Arquidiocesana de S\u00e3o Paulo (CASP) tamb\u00e9m tem recebido pedidos de ref\u00fagio por parte de peregrinos que participaram da JMJ. At\u00e9 agora foram cinco casos. Entre os solicitantes est\u00e3o nacionais do Paquist\u00e3o, Serra Leoa e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<p>Assim como todos os solicitantes de ref\u00fagio que chegam ao Brasil, os peregrinos da JMJ ter\u00e3o seus pedidos analisados pelo Comit\u00ea Nacional para Refugiados (CONARE), que funciona no \u00e2mbito do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Para isso, ter\u00e3o de se apresentar \u00e0 Pol\u00edcia Federal e ser\u00e3o entrevistados por oficiais de elegibilidade do CONARE. Como de praxe, ap\u00f3s avalia\u00e7\u00e3o individual o CONARE decidir\u00e1 quais casos devem ser reconhecidos como refugiados.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, pelo menos 12 solicitantes relataram persegui\u00e7\u00f5es relacionadas a quest\u00f5es religiosas. \u201cMeu pai foi morto por ser crist\u00e3o, e sempre disse \u00e0 minha m\u00e3e que isso poderia acontecer com nossa fam\u00edlia. Sendo tamb\u00e9m crist\u00e3o, a JMJ foi a \u00fanica oportunidade que tive para conseguir um visto e sair do meu pa\u00eds\u201d, disse ao ACNUR o jovem Peter Atuma (*), cat\u00f3lico de 24 anos que vivia em Serra Leoa, no oeste da \u00c1frica. Seu corpo tem cicatrizes de ferimentos causados por grupos religiosos hostis aos crist\u00e3os da comunidade onde vivia.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 declarou \u00e0 CARJ sua inten\u00e7\u00e3o de solicitar ref\u00fagio e tem agendada uma entrevista com a Pol\u00edcia Federal no Rio de Janeiro para formalizar seu pedido. \u201cOnde h\u00e1 paz, \u00e9 poss\u00edvel viver tranquilamente\u201d, completa Atuma, que deixou para tr\u00e1s sua m\u00e3e e oito irm\u00e3os vivendo em uma comunidade no norte de Serra Leoa. \u201cN\u00e3o tenho como voltar. Quero reconstruir minha vida aqui no Brasil\u201d, diz Atuma, que tem forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de contabilidade.<\/p>\n<p><b>Persegui\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia contra cat\u00f3licos<\/b><\/p>\n<p>Outro peregrino com entrevista j\u00e1 agendada na Pol\u00edcia Federal para solicitar ref\u00fagio \u00e9 o paquistan\u00eas crist\u00e3o Imran Masih (*), que vivia ao sul de Islamabad com seus pais e quatro irm\u00e3os. Por causa da sua religi\u00e3o, teve problemas com as autoridades do pa\u00eds, foi discriminado na busca por um emprego e testemunhou persegui\u00e7\u00f5es e viol\u00eancia contra outros cat\u00f3licos de sua comunidade.<\/p>\n<p>\u201cQuando cheguei \u00e0 JMJ, vi muitos cat\u00f3licos expressando sua f\u00e9 sem problemas e convivendo com pessoas de outras religi\u00f5es em paz. Todos n\u00f3s somos criaturas de Deus e n\u00e3o podemos ser discriminados por causa do que acreditamos\u201d, afirma Masih, que n\u00e3o se sente seguro para retornar ao seu pa\u00eds. Interessado em filosofia e teologia, ele quer iniciar estudos no Brasil para ser ordenado padre.<\/p>\n<p>Os peregrinos solicitantes de ref\u00fagio no Rio j\u00e1 est\u00e3o sendo assistidos pela CARJ, por volunt\u00e1rios ligados \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica que participaram da JMJ e por autoridades municipais. Um grupo de cinco homens solteiros que alega persegui\u00e7\u00e3o religiosa foi acomodado em uma casa de passagem administrada pela CARJ e est\u00e1 se mantendo com doa\u00e7\u00f5es da Igreja local e de fi\u00e9is, al\u00e9m de alimentos comprados pela Caritas.<\/p>\n<p>Outros seguem hospedados por volunt\u00e1rios da JMJ, devendo ser transferidos para uma resid\u00eancia provis\u00f3ria cedida por uma par\u00f3quia da cidade. Os demais solicitantes que alegam persegui\u00e7\u00f5es devido a conflitos armados, como \u00e9 o caso dos cidad\u00e3os origin\u00e1rios da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, est\u00e3o sendo acolhidos tanto por volunt\u00e1rios da JMJ como pela pr\u00f3pria comunidade de refugiados congoleses que vive no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A assistente social Aline Thuller, uma das coordenadoras do projeto de assist\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o a refugiados implementado pela CARJ, com apoio do ACNUR e do governo brasileiro, explica que a assist\u00eancia financeira direta s\u00f3 poder\u00e1 ser prestada quando os pedidos de ref\u00fagio forem formalizados. \u201cOutros apoios, como aulas regulares de portugu\u00eas e cursos profissionalizantes, tamb\u00e9m s\u00f3 poder\u00e3o ser dados quando os peregrinos tiverem o protocolo da Pol\u00edcia Federal confirmando seu pedido de ref\u00fagio\u201d, afirma Thuller.<\/p>\n<p><b>Novo desafio<\/b><\/p>\n<p>Os pedidos de ref\u00fagio feitos por peregrinos que participaram da Jornada Mundial da Juventude e alegam persegui\u00e7\u00e3o religiosa representam, de certa forma, um novo desafio para as autoridades brasileiras. \u201cN\u00e3o temos dados espec\u00edficos sobre este tema, pois muitas vezes as quest\u00f5es religiosas se misturam com persegui\u00e7\u00f5es associadas a motivos pol\u00edticos. Faremos um acompanhamento detalhado destes casos, pois o pedido de ref\u00fagio devido a quest\u00f5es religiosas \u00e9 uma quest\u00e3o complexa de ser decidida\u201d, afirma o Representante do ACNUR no Brasil, Andr\u00e9s Ramirez.<\/p>\n<p>Ramirez ressalta que a Constitui\u00e7\u00e3o do Brasil garante a livre express\u00e3o religiosa e determina a separa\u00e7\u00e3o entre o Estado e as religi\u00f5es. \u201cEste \u00e9 um componente de prote\u00e7\u00e3o importante para quem sofre persegui\u00e7\u00f5es religiosas\u201d, afirma Ramirez.<\/p>\n<p>Entre os peregrinos entrevistados pelo site do ACNUR, alguns comparam sua saga \u00e0 de santos da Igreja Cat\u00f3lica, que sofreram persegui\u00e7\u00f5es por causa da sua f\u00e9. \u201cMuitos desses santos sofreram por anunciar as boas novas de Deus. Mas permaneceram firmes em sua f\u00e9\u201d, diz Asham Daniel (*), paquistan\u00eas de 24 anos. \u201cOutros foram humilhados por reis e pessoas poderosas, mas reconstru\u00edram suas vidas em outros pa\u00edses e puderam acolher suas fam\u00edlias no ex\u00edlio\u201d, disse Atuma, de Serra Leoa.<\/p>\n<p>O Brasil possui cerca de 4.200 refugiados reconhecidos pelo governo federal, origin\u00e1rios de mais de 70 nacionalidades diferentes. Em 2013, cerca de 300 novos pedidos foram aceitos pelo Comit\u00ea Nacional para Refugiados (CONARE), sendo a maioria composta por refugiados origin\u00e1rios da S\u00edria, Col\u00f4mbia e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<p><i>(*) Nomes trocados a pedido dos entrevistados, por quest\u00f5es de seguran\u00e7a.<\/i><\/p>\n<p><i>Por Luiz Fernando Godinho, do Rio de Janeiro, para o ACNUR.<\/i><\/p>\n<p><i>Mais infomra\u00e7\u00f5es, <a href=\"http:\/\/www.onu.org.br\/peregrinos-da-jornada-mundial-da-juventude-buscam-refugio-no-brasil\/\">clique aqui\u00a0<\/a><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<!--:--><!--:en--><a href=\"http:\/\/www.onu.org.br\/peregrinos-da-jornada-mundial-da-juventude-buscam-refugio-no-brasil\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.onu.org.br\/peregrinos-da-jornada-mundial-da-juventude-buscam-refugio-no-brasil\/<\/a><!--:--><!--:es--><a href=\"http:\/\/www.onu.org.br\/peregrinos-da-jornada-mundial-da-juventude-buscam-refugio-no-brasil\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.onu.org.br\/peregrinos-da-jornada-mundial-da-juventude-buscam-refugio-no-brasil\/<\/a><!--:--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>22 de agosto de 2013 Entre as raz\u00f5es alegadas pelos solicitantes de ref\u00fagio \u2013 oriundos do Paquist\u00e3o, Serra Leoa e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo \u2013 est\u00e3o persegui\u00e7\u00f5es sofridas por quest\u00f5es religiosas ou relacionadas a conflitos armados em seus pa\u00edses de origem. 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