Projetos de Pesquisa

Pesquisa PIBIC – Cota – 2025-2026 

Orientadora: Profa. Dra. Maria do Socorro Cipriano

Orientada: Déborah Barbosa Rodrigues (Plano de Trabalho: A pedagogização do comportamento feminino através da pintura de gênero)

 A proposta objetiva a continuidade do projeto de pesquisa intitulado A representação feminina na pintura de gênero da Idade Moderna, para pensar sobre como as representações femininas são retratadas entre os séculos XVII ao XVIII a partir da chamada pintura de gênero. Para esta solicitação de renovação do projeto, pretende-se ampliar a análise dessas imagens femininas, incluindo agora a relação entre as representações pictóricas europeias e as que foram produzidas por pintores holandeses sobre as figuras femininas no Brasil colonial. Além das questões anteriormente trabalhadas, como olhar eurocêntrico sobre o universo feminino ajudou a elaborar modelos de corpos das mulheres naquele Novo Mundo, especialmente pelos pintores que fizeram parte da comitiva de Maurício de Nassau?  Nessa perspectiva, seguem as questões: como as imagens das mulheres no cotidiano da sociedade do período moderno europeu, pode explicitar múltiplas nuances do feminino ao tornarem-se alvos do exercício artístico da época, mas também como as figuras femininas no Brasil colonial são representadas sob a ótica dos pintores holandeses. Para tanto, serão analisadas as chamadas “pinturas de gênero”, estilo de pintura atribuído aos Países Baixos (Holanda), que tematizava cenas corriqueiras do cotidiano e até de paisagens. Metodologicamente, além da historiografia concernente ao tema, a pesquisa investigará acervos digitais de obras artísticas dos pintores, vídeos sobre arte, disponibilizados na internet, manuais de pinturas (impressos ou digitalizados). A proposta de pesquisa será tratada no âmbito da história cultural, considerando as seguintes referências: MANGUEL, Albert (2001); AUMONT, Jacques (1993); CHARTIER, Roger (1990), CERTEAU, Michel de (2000).

Este projeto busca discutir a questão do trauma social produzida pelo golpe e a Ditadura Civil-Militar brasileira (1964-1985) sobre os filhos e filhas de perseguidos, torturados e mortos pelos agentes do referido regime autocrático. Pois tal perspectiva traz novas leituras e interpretações sobre as dimensões autoritárias e violentas da nossa sociedade, agora visto sob o crivo de pessoas que à época eram bebês, crianças e adolescentes. Para tal, será imprescindível a compreensão daquele momento histórico bem como do nosso presente, já que as lembranças são acessadas a partir dessa temporalidade. Portanto, o diálogo entre a história e a memória passa a ter um papel crucial na compreensão das lembranças, dos esquecimentos e dos silêncios de quem viveu uma situação traumática. Tais aspectos da vida social e psíquica desses sujeitos serão analisados a partir dos seus testemunhos na comissão nacional da verdade, na Clínica do Testemunho e documentários disponíveis no Youtube. Já no plano teórico iremos referenciar este projeto nas contribuições de autores como Freud (1990), Marieta Morais (2013), Seligmann Silva (2008), Rodrigo Patto (2021), Paiva (2015) e Galvão (2025) entre outros.

Cota 2024-2026 – FAPESQ – Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba

Orientadora: Profa. Dra. Maria do Socorro Cipriano

Orientada: Thayse Evelem Alves Delfino (Plano de Trabalho: Como ser bela na sociedade paraibana entre as décadas de 1930 e 1940)

Esta pesquisa objetiva analisar a relação entre a visibilidade do corpo feminino na imprensa e a modernização na Paraíba, entre as décadas de 1930 e 1940. Em consonância com o contexto de modernização do Brasil após a instauração do governo republicano, as transformações que também atingiram a Paraíba fizeram emergir novos espaços de sociabilidades, ampliando a circulação das mulheres nos espaços públicos. Porém, numa sociedade que ainda mantinha sólidas bases das relações patriarcais, quando a imprensa passa a noticiar vozes femininas na luta pelos seus direitos, essas atitudes são vistas como feminismos. Ainda que recebida com simpatias por alguns intelectuais, tais novidades são encaradas com desconfiança e rechaçadas pela maior parte da sociedade. Trata-se, pois, de pensar sobre as construções das imagens femininas nas revistas paraibanas do período, apontando para suas ambiguidades: por um lado, os modelos de mulher moderna, sintonizadas com as mudanças culturais e, por outro, os papeis femininos tendendo à docilidade de seus corpos numa clara articulação com o projeto republicano e civilizador, que implicava impor como naturais os lugares de mães e esposas zelosas e meras “apoiadoras” das figuras masculinas. Tomando como base de pesquisa, as revistas Illustração (1935-1937), a revista Manaíra (1939-1940) e a Evolução (1931-1932), a proposta deste projeto está ancorada teórico-metodologicamente no campo da Nova História Cultural, no sentido de analisar as revistas enquanto fontes relevantes, constituídas discursivamente enquanto arenas para as relações de puder, ao inscreverem enunciados que possibilitaram forjar corpos femininos naquele contexto de amplas transformações socioculturais da Paraíba.

O presente projeto visa analisar a prática do periodismo acadêmico do Curso Jurídico de Olinda, especificamente no jornal O Olindense, com vistas ao aprofundamento da compreensão de que as representações do Direito só podem ser compreendidas se considerarmos as práticas educativas que as geraram. Para isso, partiremos da atividade da escrita na imprensa, que no Brasil foi estudada muito mais como suporte de representações sociais do que como uma prática cultural. Existem, é verdade, estudos que exploram o periodismo como prática profissional ou literária no século XIX e XX, mas ainda carece de atenção a relação que existiu e existe entre o periodismo e as práticas estudantis. Nesse sentido, consideramos que as práticas culturais são resultantes de um espaço e tempo comuns entre sujeitos, e no caso aqui estudado, essas relações se desdobram em um ambiente educacional com dinâmicas e desafios próprios, o qual pregava um discurso da universalidade e objetividade científicas e atuou, sobretudo, em linguagem textual escrita, a exemplo do direito originário ou do direito derivado. Dito isto, acreditamos que a prática do Direito no Brasil esteve atravessada pelas concepções de Direito Constitucional português e do Direito Civil alemão, ambos consumidos e praticados no Curso Jurídico de Olinda por professores e estudantes através da imprensa. Para entender isso, escolhemos a escrita estudantil que é um meio privilegiado de investigação sobre o Direito no século XIX, mais especificamente, o periodismo acadêmico d’O Olindense e as primeiras representações do Direito brasileiro.

Este projeto pretende desenvolver um conjunto de estudos e pesquisas relacionadas às trajetórias de homens e mulheres de origem árabe-palestina que imigraram para o Brasil e se fixaram principalmente na região Nordeste, a partir da segunda metade do século XX, em parte motivados pelas lutas anticoloniais, crises politicas e pelos conflitos entre israelenses e palestinos, intensificados logo depois da Partilha da Palestina, em 1948. Neste sentido, buscaremos pesquisar como se deu a vinda e as formas de tensão e adaptação com as sociedades locais, e, sobretudo, suas contribuições em termos políticos, econômicos e socioculturais. Além desses aspectos objetivamos compreender de qual modo a Questão Palestina esteve presente no campo de suas experiências e nos seus horizontes de expectativas, conforme Kosseleck (2006). Tais questões serão enfrentadas pelo suporte teórico-metodológico de autores que trabalham a questão do Tempo Presente, da memória e das biografias (Rousso, 2016, Lacapra, 2023, Dosse, 2016) e por historiadores e pensadores dos povos árabes, palestinos e israelenses (Pappé, 2025, Said, 2003, Clemesha, 2025, entre outros), além das produção de autores destacadas da história e da sociologia brasileiras (Ribeiro, 1995, Fernandes, 2011, Sousa, 2020), articulados a análise de fontes orais, impressas e visuais de arquivos, blogs, sites e fotografias.

O presente projeto investiga o Jornal e Boletim ChanacomChana, produzido pelo Grupo de Ação Lésbico-Feminista (GALF) entre 1981 e 1987, como veículo de articulação política para mulheres lésbicas durante a redemocratização brasileira. A partir das abordagens da História Cultural e da Nova História Política, analisa-se o periódico não apenas como fonte documental, mas como agente ativo na mobilização por direitos civis. O objetivo geral é compreender como o ChanacomChana articulou vivências cotidianas de mulheres lésbicas — na maternidade, no trabalho, sexualidade — com debates políticos mais amplos, especialmente em torno da Assembleia Constituinte, contribuindo para a formulação de uma agenda de direitos homossexuais no período. A metodologia utilizada será a análise de conteúdo, conforme proposta por Laurence Bardin, a partir das edições digitalizadas disponíveis no WordPress e no Arquivo Lésbico Brasileiro (ALB), em diálogo com a literatura especializada. Especificamente, a pesquisa busca: compreender como o boletim abordou temas do cotidiano sob a perspectiva lésbica; investigar sua atuação diante da Constituinte e outras pautas políticas do período; e identificar as diferentes linguagens e estratégias utilizadas para provocar reflexão crítica sobre o papel político das leitoras enquanto mulheres lésbicas.